Pôr do Sol no rio Cacheu, Guiné Bissau

Pôr do Sol no rio Cacheu, Guiné Bissau
Pôr do Sol no rio Cacheu, 31-01-08, Canon PowerShot A640, velocidade 1/251, abertura F4.1

Nota de boas vindas

O blogue aqui criado, reporta-se à experiência que vivo ainda , como geólogo, numa obra de construção de uma ponte, em S. Vicente, Guiné Bissau. Trata-se de uma nova realidade, distinta da realidade europeia, que interessa conhecer e divulgar. A Guiné Bissau da actualidade é um pequeno país, pobre mas curioso, por se manter no seu estado ainda puro. Neste blogue serão postadas, sobretudo fotografias (outra das minhas paixões), que correspondem a momentos que, sei, dificilmente se repetirão. É essa a beleza da fotografia, que o video não consegue atingir, a captação de momentos, a pintura com cores e luz. O momento, o que não se repetirá. Sinta-se à vontade para comentar. É bem vindo neste espaço.

Pedro Moço, S. Vicente, Guiné Bissau, 2-02-2008

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Libertação

Longe estão os tempos em que alguns países africanos lutaram com determinação pela sua independência. Lutaram com bravura, afrontando o poder estabelecido, muitas vezes as ditaduras empedernidas da metrópole. Foram lutas fratricidas, sangrentas, mas, talvez, necessárias. E África libertou-se de um jugo que a apertou durante demasiado tempo.
Mas África não é livre! A maior luta ainda tem que ser empreendida: África tem que se libertar de si própria, África tem de avançar, no respeito das suas tradições, no caminho do seu progresso sustentado e que conduza à sua real independência. O progresso em África, actualmente, só serve uns quantos e valores como a dignidade ainda são todos os dias dias vilipendiados. África tem que se libertar sim, mas agora de si própria!

Canon PowerShot A640, Preto e branco, Velocidade de obturação 1/160, Abertura F2.8.

Aves..


Uma ave a servir de mote, mais uma vez. Sou da opinião que, uma das poucas formas de sermos mais perfeitos seria se, no decurso da nossa evolução, tivéssemos ganho a faculdade de voar. Que sensação formidável de liberdade adquiriríamos, que perspectiva nova do mundo ganharíamos!

A nossa visão do mundo seria mais abrangente, menos tacanha. Uma ave nada possui, senão essa extraordinária faculdade, a de se elevar nos ares e reduzir a escala do mundo a seu bel-prazer. Seriamos, certamente, mais livres, mais espontâneos, mais independentes, mais sábios.

E, porque não voamos naturalmente, sempre fizemos esforço para vencer a gravidade e nos elevarmos nos ares, mas sempre de um forma artificial e, portanto, incompleta. Mas, como disse uma vez Mário Cesariny, "o artificial é o natural do homem". Contentemo-nos...


Canon PowerShot A640, Cor, Velocidade do obturador 1/800, Abertura F4,1

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Aves pernaltas


A foto acima ilustra duas aves pernaltas, numa bolanha (pântano que ladeia um rio). Destaca-se pela cor das aves e da vegetação. É um exemplo da fauna exótica existente na Guiné-Bissau.

Canon PowerShot A640, Côr, Obturador 1/320, Abertura F4,1.

segunda-feira, 3 de março de 2008

A poesia também voa...


Um motivo fotográfico muito fugidio, mas compensador. A poesia também voa e escapa-se-nos por entre os dedos, com a leveza dos dias de verão nos trópicos.


Canon PowerShot A640, Macro, Velocidade 1/250, Abertura F/4

sábado, 1 de março de 2008

Reflexos


A beleza de algumas imagens está na sua ausência de significado, na sua composição bizarra, ou na sua multiplicidade de significados. Na realidade, nalgumas fotos, os significados podem ser quase tantos os que quiseram. Compor com a cor, tentar novos pontos de vista, criar.
O mundo visto num reflexo, sem decifração possível, ou o reflexo de um mundo. Será o reflexo uma visão alternativa, uma nova dimensão?


Canon PowerShot A640, Cor, Velocidade do obturador 1/80, Abertura F/4

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Chamei-lhe "Solidão"



A foto seguinte retrata a técnica de usar a foto a preto e branco, geralmente pouco avançada nas máquinas digitais. Penso que o efeito foi bem conseguido com o equilibrio correcto de luz. A fotografia a preto e branco tem as sua exigências próprias, a côr não é um argumento para a sua beleza. Os argumentos tem que ser outros. E, talvez por isso, este tipo de fotografia é, em minha modesta opinião, mais criativa. Na fotografia a preto e branco a luz, o jogo de sombras, o motivo, desempenham o papel principal. E, talvez ainda mais importante, a mensagem que se deseja transmitir.
E neste caso, a foto pode parecer nada ter a ver com a Guiné-Bissau, pois em qualquer parte do mundo (a luz é universal), ela poderia ter sido captada. Mas tem.
Chamei-lhe "Solidão", sei porque o fiz, mas não conto. A quem a visione, deixo a incumbência de o descobrir.

Canon PowerShot A640, Preto e Branco, Macro, Velocidade do obturador 1/1000, abertura F/4,5

Fogna & Fonseca


Os dois velhos retratados na foto acima são, da esquerda para a direita, o Fogna e o Fonseca. O Fogna tem 85 anos feitos, o Fonseca tem idade incerta, pois nem o filho foi capaz de me prestar essa informação. Vivem em S. Vicente, entretendo os dias olhando o ritmo dos dias, das estações, ouvindo o barulho das crianças que brincam e observando as tarefas dos jovens adultos.

É, talvez, uma fase contemplativa da vida. Quanta sabedoria se esconde atrás da idade, de uns olhos que já viram quase tudo? Quantas estações da chuva, quantos sóis impiedosos, não os castigaram já? Quanto amaram, quantas vezes o coração lhes bateu, quantas vezes choraram na fome, ou riram na abundância?

Eles aí estão, testemunho vivo de muitas épocas, a colonial e as outras. Um garrafita de aguardente de cana, e ei-los a sorrir de novo....


Canon PowerShot 640, Côr, Velocidade 1/60, Abertura F/2,8

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Macros e gafanhotos


Por vezes só a macrofografia nos deixa penetrar em mundos menos acessíveis. Em que pensará um gafanhoto?
Macro, Velocidade de obturação 1/640, abertura F/4

Entre o céu e a terra...























Uma foto nada mais é que um momento. Pintamos o momento com luz e com as nossas, sempre limitadas, tecnologias de captação. Mas, aquilo que faz uma foto pode ser a luz, ou o motivo, ou simplesmente a irrepetibilidade do instante ou a sua bizarria.
Nestas fotos apenas se retrata a simplicidade de um momento, em que, funâmbulo, um homem se dependura na armadura de uma estaca de fundação de uma futura ponte. E, se as pontes, são passagens, percursos a meio de algo, o funâmbulo, neste caso, está a meio da terra e do céu.

As duas fotos são abordagens diferentes de um mesmo momento, ambas coloridas, apesar do aspecto monocromático da segunda. A primeira foi obtida com uma velocidade de obturação de 1/800 e um abertura F4.1, enquanto a segunda foi obtida com velocidade de obturação 1/1250 e abertura F7.1


Agradeço ao Sana, o ter posado para a foto sem disso ter consciência.